"O olhar dos gatos estabelece um verdadeiro elo telepático que permite mergulharmos magicamente no cosmos numa troca de energia vbratória. O gato é um íman, um fixador do invisível que nos rodeia e que nós nem sempre sabemos reconhecer!"
quarta-feira, 17 de março de 2021
«Não é tarefa fácil conquistar a amizade de um gato, deste filósofo ponderado e tranquilo, uma criatura de hábitos, um amante da decência e da ordem. Não concede o seu afecto de forma leviana e, ainda que possa consentir em ser nosso companheiro, nunca é nosso escravo. Mesmo quando está na mais afectuosa das disposições, preserva sempre a sua liberdade e recusa uma obediência servil. Mas, uma vez que se tenha conquistado a sua confiança, é um amigo para toda a vida. Partilha as nossas horas de trabalho, de solidão, de melancolia. Passa noites inteiras nos nossos joelhos a ronronar e a dormitar, satisfeito com o nosso silêncio e desprezando, pelo amor que nos tem, a companhia dos da sua espécie»
["la ménagerie intime", de Théophile Gautier]
quinta-feira, 10 de dezembro de 2020
LUTO...
a rebeldia que desassossega,
a matéria compulsiva dos sentidos.
Que ninguém nos dome,
que ninguém tente
reduzir-nos ao silêncio branco da cinza,
pois nós temos fôlegos largos
de vento e de névoa
para de novo nos erguermos
e, sobre o desconsolo dos escombros,
formarmos o salto
que leva à glória ou à morte,
conforme a harmonia dos astros
e a regra elementar do destino.
in "Animália Odes aos Bichos"
sexta-feira, 6 de março de 2020
O GATO
(Baudelaire)
.
Vem, belo gato, aqui ao meu regaço,
Recolhe as tuas garras devagar,
E nos teus belos olhos verde e aço, ...
Deixa-me aos poucos mergulhar.
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Quando meus dedos cobrem de carícias
Tua cabeça e o teu dócil torso,
E a minha mão se embriaga nas delícias
De afagar o teu sedoso dorso,
.
Vejo-a em sonhos e o seu olhar profundo,
Tal como o teu, amável felino,
Qual dardo dilacera e fere fundo.
.
E desde os pés à cabeça,
Um perfume fatal, um ar sereno,
Enroscam-se à volta daquele corpo moreno.











